TCC, DBT e ACT, abordagens psicológicas: como cada uma atua na prática

Três siglas, três abordagens, e uma dúvida: “qual delas eu preciso fazer?”. Essa decisão é técnica, feita pelo psicólogo, caso a caso, conforme o que a avaliação clínica mostra que a pessoa precisa. Vou te ajudar a entender como cada uma trabalha na prática, para que você saiba o que esperar do processo.

Vou usar uma situação comum para ilustrar as três, mesma cena, só mudando a lente: alguém que sente um aperto no peito toda vez que precisa falar em público, e evita reuniões por causa disso.

TCC: reorganizar o pensamento por trás da reação

A Terapia Cognitivo Comportamental parte de uma ideia central: entre o que acontece e o que sentimos, existe um pensamento automático que interpreta a situação, e esse pensamento costuma ser mais rápido que a nossa consciência dele.

Na cena da reunião, a TCC investigaria o que passa pela cabeça da pessoa no instante antes do aperto no peito. Provavelmente algo como “vou falhar e todo mundo vai perceber que sou incompetente”. A partir daí, o trabalho é testar essa interpretação na prática: ela é realmente verdadeira, ou é só a mais familiar? O que aconteceria, de fato, se ela falhasse uma vez?

Na prática do paciente, isso costuma envolver registrar pensamentos entre as sessões, observar padrões que se repetem em situações diferentes, e experimentar, aos poucos, agir de um jeito diferente daquele automático, para colher evidência real de que outra reação é possível.

Mas a TCC não para no pensamento do momento. Se aquele “vou parecer incompetente” aparece não só em reuniões, mas também ao dar opinião num grupo de amigos, ao pedir aumento, ao postar algo nas redes, isso costuma indicar uma crença mais profunda, algo como “eu não sou capaz” ou “vão descobrir que eu não sei o suficiente”, formada ao longo da história da pessoa, bem antes da reunião de hoje existir. Esse tipo de crença central funciona quase como um filtro, colorindo várias situações diferentes com a mesma interpretação.

Trabalhar essa crença é mais lento do que testar um pensamento pontual. Envolve reunir experiências reais, ao longo de semanas e meses, que contradigam a crença antiga, até que ela perca força e outra, mais realista, ganhe espaço no lugar dela. Não é decisão que se toma numa sessão, é construção que se sustenta na repetição de evidência.

DBT: regular a intensidade da emoção antes dela decidir por você

A Terapia Comportamental Dialética entra com mais força quando a emoção em si já é o problema principal, não só o pensamento por trás dela. Ela parte de outra pergunta: e se, além de entender o pensamento, a pessoa também aprendesse a atravessar a onda emocional sem ser arrastada por ela?

Na mesma cena da reunião, a DBT trabalharia o momento exato do aperto no peito como um pico de emoção intensa que precisa de manejo imediato, técnicas concretas para reduzir a ativação física ali, na hora, sem precisar sair da sala ou evitar a fala. Depois, num momento mais calmo, entraria a parte de entender o padrão: por que essa situação específica dispara tanta intensidade, e como reduzir isso ao longo do tempo.

Na prática do paciente, isso envolve aprender habilidades concretas de regulação, tolerância a desconforto e comunicação, e testar essas habilidades em momentos reais de tensão, não só conversar sobre elas em teoria.

ACT: mudar a relação com o pensamento, não o conteúdo dele

A Terapia de Aceitação e Compromisso parte de um ponto de vista diferente das outras duas: talvez o problema não seja o pensamento “vou falhar e vão me achar incompetente” em si, mas o quanto a pessoa se funde com ele, como se aquele pensamento fosse um fato absoluto em vez de só um pensamento passando.

Na cena da reunião, a ACT não tentaria provar que o pensamento é falso, nem reduzir a intensidade da emoção diretamente. Ela trabalharia a relação da pessoa com esse pensamento e essa sensação: aprender a notar “estou tendo o pensamento de que vou parecer incompetente”, em vez de simplesmente pensar “vou parecer incompetente” como verdade absoluta. E, principalmente, ajudaria a pessoa a agir na direção do que importa para ela (falar na reunião, por exemplo, porque a carreira dela importa) mesmo sentindo o desconforto, em vez de esperar o desconforto sumir primeiro para só então agir.

Na prática do paciente, isso envolve exercícios de observação do próprio pensamento com mais distância, clarificar valores pessoais (o que realmente importa, para além do medo), e praticar ação comprometida na direção desses valores, desconforto incluído.

As três juntas, resumidas numa frase cada

Para fixar a diferença central de cada uma, aplicada à mesma cena:

• TCC pergunta: esse pensamento é verdadeiro, e existe outro jeito de interpretar a situação? • DBT pergunta: como atravesso essa emoção intensa sem que ela decida tudo por mim? • ACT pergunta: como ajo na direção do que importa para mim, mesmo com esse pensamento e essa sensação presentes?

Elas não competem entre si

Na prática clínica, é comum transitar entre elementos das três conforme o que a situação pede, porque elas compartilham uma base científica comportamental comum, e se complementam mais do que competem.

O que muda, de caso para caso, é qual delas serve como eixo principal do processo, dependendo do que mais pesa: o padrão de pensamento, a intensidade emocional, ou a dificuldade de agir apesar do desconforto. Essa avaliação é justamente parte do trabalho do psicólogo, não algo que o paciente precisa definir sozinho antes de começar.

Um convite

Se você chegou até aqui tentando entender melhor o que essas siglas significam na prática, o objetivo é esse mesmo: informação, não uma decisão que caiba a você tomar sozinho. Qual ferramenta usar, e em que momento, é avaliação clínica, feita junto com o profissional, ao longo do processo. Atendo adultos, idosos e casais, presencialmente em Rondonópolis/MT e também online, trabalhando com TCC, DBT e ACT conforme o que a avaliação de cada caso pede. Se desejar, entre em contato que conversamos sobre o seu caso.

Camila Krauspenhar | Psicóloga CRP 18/2316

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