Tem gente que descreve a própria emoção como uma onda que chega sem aviso e simplesmente arrasta tudo pelo caminho. Discussão pequena vira briga enorme. Um comentário qualquer vira dias de ruminação. Uma frustração comum vira uma vontade desproporcional de sumir do mapa. Se isso soa familiar, vale conhecer uma abordagem criada exatamente para lidar com esse tipo de intensidade: a DBT.
De onde ela veio
A DBT foi criada pela psicóloga americana Marsha Linehan, nos anos 1990, para tratar pessoas com sofrimento emocional muito intenso e recorrente, que não respondiam bem às abordagens mais tradicionais da época. Com o tempo, ela mostrou eficácia bem além do público original, e hoje é usada para regulação emocional em geral, impulsividade, dificuldades de relacionamento e comportamentos autodestrutivos.
O nome “dialética” não é acaso. Ele descreve o coração da abordagem: aceitação e mudança caminhando juntas, ao mesmo tempo, sem uma anular a outra.
O que significa “aceitação e mudança ao mesmo tempo”
Isso soa contraditório à primeira vista, então vale destrinchar. Muita gente que sofre com emoções intensas já ouviu, de um lado, “você precisa aceitar mais as coisas” e, do outro, “você precisa mudar esse jeito de reagir”. Só que ouvir isso separadamente costuma soar como dois conselhos opostos, e nenhum dos dois sozinho resolve muita coisa.
A DBT trabalha os dois ao mesmo tempo. Você aprende a validar que a emoção que sente é real e faz sentido dentro da sua história, sem julgamento, e, simultaneamente, aprende ferramentas concretas para reagir de um jeito diferente do automático. Não é “só aceite” nem “só mude”. É “sua reação faz sentido, e também dá para construir uma resposta diferente a partir daqui”.
As quatro áreas que a DBT trabalha
Na prática, o processo costuma envolver quatro frentes de habilidades, trabalhadas ao longo do tempo:
• Atenção plena, a base para observar a própria emoção sem ser automaticamente arrastado por ela.
• Tolerância ao mal estar, ferramentas para atravessar momentos de crise sem agir por impulso.
• Regulação emocional, entender o que alimenta uma emoção intensa e como reduzir sua frequência e intensidade ao longo do tempo.
• Efetividade interpessoal, formas de se posicionar, pedir o que precisa e sustentar limites sem destruir a relação nem se anular por completo.
Essas quatro áreas não são teoria solta. Elas viram prática concreta, testada no dia a dia entre uma sessão e outra, e ajustada conforme o que funciona ou não para cada pessoa.
Como isso aparece numa sessão
Diferente de uma conversa aberta sem direção, a DBT costuma ter estrutura clara: o que aconteceu na semana, quais emoções e comportamentos mais pesaram, e quais habilidades específicas fazem sentido praticar a partir dali. Não é incomum registrar, entre as sessões, momentos de crise ou de emoção intensa, para entender padrões que não ficam óbvios só na lembrança vaga de “essa semana foi difícil”.
Isso dá ao processo uma sensação de progresso concreto, porque há algo para observar e comparar ao longo do tempo, não só uma sensação difusa de estar “melhor” ou “pior”.
Para quem serve
Serve, sim, para quadros mais intensos, como dificuldade recorrente de regular emoção a ponto de gerar comportamentos autodestrutivos. Mas serve também, e muito, para quem simplesmente sente que reage de forma desproporcional com frequência, tem dificuldade de sustentar relacionamentos por causa da intensidade emocional, ou vive numa sensação de montanha russa interna que cansa mais do que qualquer evento externo justificaria.
Não é preciso um diagnóstico formal para se beneficiar das habilidades da DBT. Muita gente chega simplesmente cansada de sentir tudo tão forte, o tempo todo.
Um convite
Se você se reconheceu nessa sensação de onda emocional que chega e arrasta tudo, vale saber que existe caminho estruturado para lidar com isso, não como “controlar as emoções”, que ninguém consegue por completo, mas como atravessá-las sem que elas decidam tudo por você. Atendo adultos e casais, presencialmente em Rondonópolis/MT e também online. Se desejar, entre em contato que te explico melhor como funciona o trabalho com DBT.
Se você tem pensamentos recorrentes de se machucar, procure ajuda imediata: o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, a qualquer hora, todos os dias, ou o Pronto Atendimento mais próximo.
Camila Krauspenhar | Psicóloga CRP 18/2316
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